definição

poesia é a especiaria que ativa as pupilas gustativas da língua

terça-feira, outubro 14, 2008

nos 40 anos da morte de Bandeira

40 anos da morte de Bandeira - 13 de outubro
estava pesquisando 
pra ver se encontrava algo interessante 
sobre Bandeira pra falar amanhã pros alunos.

aí encontro isso:

POEMA

Súbitos mergulhadores descendo nas águas inimigas
Com os olhos fitos e os peitos esmagados,
Descendo devagar, ao som lento de segundos vertiginosos como séculos,
Todos nós vos acompanhamos e juntamos todas as nossas forças na mesma meditação.
Aqui, da terra firme,
Entre nuvens e terra,
Entre o suor e o orvalho,
Esperamos o termo com todas as nossas forças.
E sabereis a nossa mensagem:
Só há saída pelo fundo.

..............
Cristovam Pavia, morto aos 35, 10 anos depois de lançar seu único livro(35 poemas).
Suicida-se sob as rodas de um ônibus.
No mesmo dia de MB, poeta que ele amava mais do que a outros....

segunda-feira, agosto 11, 2008

entrevista com o Carlito Azevedo


Palavra Expressa é o projeto de poesia que ocupa as dependências da Biblioteca Pública Dr. Telio Barreto, no Centro Macaé de Cultura. Um encontro que busca aproximar o macaense da poesia brasileira e local. Tem homenageado vários poetas da cidade, alguns com mais de 90 anos de idade, com saraus de poesia, além de oferecer oficinas para ampliar o conhecimento da poesia contemporânea e aprimorar a técnica daqueles que gostam de fazer poesia e não apenas lê-la ou ouvi-la. Para comemorar seu primeiro ano, foi convidado o poeta Carlito Azevedo, para falar de poesia brasileira contemporânea e lançar o vigésimo número da mais importante revista de poesia no Brasil, hoje – a Inimigo Rumor.

Carlito Azevedo recebeu o Prêmio Jabuti após estrear na literatura com o livro de poesia Collapsus Linguae (1991). Sua obra foi reunida em Sublunar (2001), que inclui As banhistas (1993), Sob a noite física (1996) e Versos de circunstância (2001). Carlito foi recentemente incluído na lista dos vinte maiores poetas brasileiros vivos. Tem livros publicados em Portugal, Espanha e Argentina, além de participar de diversas antologias poéticas publicadas na França, nos Estados Unidos, na Itália, na Colômbia e no México. Coordena a coleção de poesia Ás de colete, das editoras Cosac & Naify e 7Letras. Desde 1997, trabalha como editor da revista de poesia Inimigo Rumor, revista que chega ao número 20 e vai ser lançada aqui, durante o evento desta terça feira(12/08)que começa às 18h, na própria Biblioteca.

Gerson Dudus - Tem uma visão popular sobre poesia, que acredita ser ela a expressão dos sentimentos, em versos...a visão romantiquinha.Depois das vanguardas e do modernismo a gente sabe que não é tão simples. Existe alguma definição de poesia que seja operacional hoje, quando há trabalhos que reúnem artes plásticas, música, performance/teatro/dança e palavra e não se resumem ao livro, à pagina e ao verso? É possível ainda uma fina película conceitual que diga pra gente o que é poesia?

Carlito Azevedo - Se alguém acha que a poesia é algo que já foi inventado, cuja invenção já foi terminada, só lhe resta seguir "escrevendo" poesia como manda o figurino. Mas eu tendo achar bem mais interessante pensar a poesia como algo que ainda está sendo inventado, cuja gramática e definição só vale para ler o que passou e não para reger e dirigir o que virá. De modo que a única definição que posso utilizar para a poesia é aquela mais abrangente de todas, usada uma vez pelo russo Mikhail Bakhtine: há poesia toda vez que algo nos ensina a ver diferenças onde antes só se via mesmice, homogeneidade.

Gerson - Mas, Carlito, em cada época, os poetas se mobilizam por certas questões - estéticas filosóficas, éticas, políticas. Seu intercâmbio com poetas daqui e de outros países acaba dando uma visão geral de poesia contemporânea no mundo? Para você quais são as questões centrais com que o poeta tem que se confrontar hoje no Brasil?

Carlito - Não quero parecer alguém que dá receitas ou aponta caminhos, o que posso dizer é que a poesia que prefiro na atualidade é aquela que (trate do tema que tratar) me passa a dimensão do abismo que há em estar vivo. Há o abismo social, visível, tangível a cada esquina. E há o abismo existencial: somos regidos pelo acaso e pelo caos. Como disse o Mallarmé há mais de cem anos, não há ordem inventada pelo homem que possa abolir o acaso dessa imensa estrutura que é o universo. Sabe-se que a única prova de que amanhã, ao acordarmos, o universo ainda estará aí fora é o fato de que até hoje foi assim.

Tem gente que reage a esse estado de coisas buscando uma ilusão de segurança, e daí surge a arte mais acadêmica, que se quer eterna, clássica, perene... ilusões de perenidade num mundo em contínua transformação. E tem gente (e é a gente que eu prefiro) que reage a esse estado de coisas incorporando em sua produção artística o aleatório, o informal, a indeterminação, o experimental, como dimensões fundamentais. É como se para esse tipo de poeta, a poesia fosse uma sonda mental que ele atira ao desconhecido para ver se encontra um ponto fora de si a partir do qual re-descrever o mundo. Muito melhor isso que escrever obedecendo as regras do mercado.

Gerson - Falando em regras do mercado, muita gente diz que a poesia contemporânea é difícil e por isso não consegue sintonizar com o público de um certo gosto médio. Como você vê a relação entre poesia e público? Poesia não se vende e poesia não vende são sinônimos? Depois da Internet, da blogosfera, da disponibilidade de todo tipo de poeta e poesia na rede, das comunidades e fóruns virtuais, a poesia consegue chegar a mais pessoas?

Carlito - A regra do mercado é simples: livro bom é livro que vende. E o pior é que essa regra, que pretende tomar o lugar da reflexão crítica e da discussão política, coisas básicas para a poesia e para a filosofia, anda atingindo todo mundo. O que eu sei é que rentabilidade não é critério para se julgar a poesia (nem nada). Não me importa se um livro de poemas atingiu um milhão de pessoas, o que me importa é saber em que medida aquele livro de poemas me ajudou a ver o mundo como algo mais permeado de alternativas e possibilidades do que aquelas (pouquíssimas) que me são oferecidas pelo mundo globalizado: nasça, consuma carros e celulares, faça sucesso e morra. O mesmo vale para blogs e sites de poesia.

Gerson - Essa relação entre público e poesia, para nós do Palavra Expressa é relevante, no sentido de que o poeta problematiza a existência e busca desautomatizar a vida. Ser ouvido e lido, buscar um ponto que me ligue ao outro, essa conexão, essa empatia - sentir junto, é muito importante. Sei que soa messiânico, mas ...assim como uma poemúsica - uma bela canção feita por um dos nossos da mpb atinge as pessoas e aquilo se torna trilha de um momento da vida, que dá a dimensão existencial daquilo que se viveu...isso é possível, hoje, para a poesia e um público, como foi para Drummond ou Gullar ou Leminski?

Carlito - Eu acho que a relação entre poesia e leitor é o mais relevante. Quando passo a tratar o leitor como público, reduzindo-o a números, consumidores, estatísticas, eu já entrei no próprio processo de automatização que pretendia estar criticando. Lorca dizia que ler um poema num auditório para seis pessoas valia tanto quanto publicar um livro com uma tiragem de cinco mil exemplares. É desse modo enviesado e mais rico que eu acho que a poesia deve se relacionar com os "números", algo que fundiria a cabeça de qualquer gerente de vendas: dois e dois são cinco, seis igual a cinco mil. O importante para o poeta é não se recusar ao contato, ele deve publicar livros, fazer leituras públicas, criar blogs, postar suas leituras no youtube e no myspace. Alguns, como eu, até editam revistas de poesia que tentam multiplicar esse contato entre poeta e leitor. Mas que o sucesso de quem quer que seja não nos iluda.

Gerson - Na coleção de poesia que você coordena, Às de colete, depois da reunião dos poemas de Cacaso, Orides, , Alvim, da surpresa da portuguesa Adília, quem vem? E dos novos?

Carlito - Minha alegria maior com essa coleção é a possibilidade de lançar novos autores. A próxima leva, agora em outubro, traz livros novos de Ricardo Domeneck, Walter Gam e Felipe Nepomuceno, três novíssimos que me encantam e fazem ficar otimista quanto aos desdobramentos da poesia futura. Além disso temos também a poesia reunida de Cesare Pavese, grande poeta italiano que até agora só foi publicado no Brasil como romancista.

Gerson - E você? Depois do Sublunar com a reunião dos seus livros anteriores, o que vem por aí? como você sente que sua obra se desdobra?

Carlito - Já dizia o Paul Valéry que a função de um livro é surpreender seu autor. E eu creio um pouco nisso. Vou escrevendo, jogando fora, refazendo, sempre de acordo com meu "eu todo retorcido", como dizia o Drummond, com esse feixe de tensões que me compõe. Imagino que seja um livro mais cortado de fluxos sonoros e mentais do que estruturado em placas visuais, como vinha sendo meu trabalho poético até agora... Mas pode ser só impressão minha. Como disse, estou disposto a ser surpreendido.

quarta-feira, março 26, 2008

patmosphere


o terceiro céu a terceira pedra do sol
o terceiro mundo a terceira pessoa
o terceiro olho
o terceiro milênio a terça-feira de cinzas
a

t
e
r
c
e
i
r
a

m
a
r
g
e
m

sexta-feira, setembro 28, 2007

terça-feira, agosto 28, 2007

teodisséia




ulices atra

vés do espe

sso tempo

com olvidos

atentos quer

que pinélope en

frente a entris

tecida ficção

vida desa

fiando com parcas

posses e avisa

as circes

e sirenes

que todo

homem é

uma ilha

com um

buraco por

onde fug

indo se

busca a ob

via crucis

e depois dela

com razão

as primícias do princípio

do prazer


segunda-feira, agosto 27, 2007

Quero saber

Quero saber se você vem comigo
a não andar e não falar,
quero saber se ao fim alcançaremos
a incomunicação; por fim
ir com alguém a ver o ar puro,
a luz listrada do mar de cada dia
ou um objeto terrestre
e não ter nada que trocar
por fim, não introduzir mercadorias
como o faziam os colonizadores
trocando baralhinhos por silêncio.
Pago eu aqui por teu silêncio.
De acordo, eu te dou o meu
com uma condição: não nos compreender

Pablo Neruda (Últimos Poemas)


tenho estado meio assim...sem vontade responder aos recados na net..sem vontade de conversar...vontade de estar junto sem precisar falar ou explicar ou comentar....

sexta-feira, maio 11, 2007

a boca é do outro lado


"o chão é fértil demais para o acaso" ricardo domeneck
de manhã ela lê pra mim
emocionada o poema
da minhoca do roubaud
meu filho ri
de noite no discovery health
o médico tira minhocas
dos buracos que
a louca
tinha feito nos próprios braços
"eu tenho vermes no corpo" ela diz

depois, é só cuidar
dos abcessos e da infecção sem
esquecer de colocar as minhocas na terra
agora li os poemas do prado sobre elas
e acho que o dia fez sentido
sexton plath akmátova tzvietáieva
eu tenho minhocas na minha cabeeeça
para arejar a linguagem

quarta-feira, novembro 01, 2006

a pena é mais poderosa que a espada

a pena nem

sentença a ser cumprida

nem dó

a pena se faz força

comunica com a noite dos

tempos amanhecendo

tempestades

a pena pertence ao vento

que infunde

movimento

apenainextricavelmenteligadaàasaindivisivelmenteligadaaocorpoligadoindissoluvelmenteàasa

assim:

amor

um vôo

duas asas

e mais.

quinta-feira, julho 27, 2006

macaba

a cidade que busca

um possível equilíbrio

entre a serra e o mar

a cidade que se busca

entre profundidade

e altura

acha-se perdida

os homens escavam seu tempo remoto

e dele retiram o leite negro

que alimenta o mundo

leite? gosma, bile negra

um passado pastoso

que pode se bem usado

inflamar o povo

a cidade cujo rio

se encontra com o mar

pode se encontrar

aberta a todos pelo mar aberto

aqui aportam outros

que não se fazem nossos

a cidade aberta

não quer se apenas

pouso e uso

a cidade alerta:

quer ser musa

agora com tudo

que a devora

a cidade quer

uma forma um afeto

não só business não só sexo

a cidade quer-se fruto da palmeira.

aos que vivem nela dela:

a cidade quer ser inteira.

domingo, abril 02, 2006

terças feiras sem cinzas


agora poesia tem lugar
toda semana
para todos

polipoesia


120 anos de bandeira
100 de quintana
uma pequenina homenagem
do dia nacional da poesia
ao dia internacional da poesia

enquanto isso

a poesia acabou
aparecendo na praça das artes
com bandeira e quintana
temperando o café do teatro toda terça
do dia da poesia em diante
com vários deles - poetas
falando e fazendo

segunda-feira, janeiro 23, 2006

diana


a armadilha da seda em voz pêlos pele

hipnotiza


o arco do corpo retesa e pousa

sobre a caça carcaça do desejo

até que
ceda

pausa

saciada volta os olhos à beleza
a busca não cessa
a deusa vive da presa

variações em torno do azul


me virei e vi

era ele

vindo

de um modo que só ele poderia

os movimentos lentos e cadenciados

impossível não se fazer notar

no fim das contas

todos estávamos ali por ele

sabíamos onde estaria e viemos

em busca disso

do que sua presença passa

estar junto

se deixar ficar úmidos como mulheres

quando murmura

coisas desconexas

ele sabe ser

superficial e profundo

perigoso e delicado

o par perfeito

então entendi porque a lágrima é salgada

então entendi o verão

domingo, janeiro 08, 2006

rasgando o verbo


“anger is an energy”
john lydon

ninguém rasga versos já que ninguém os lê e só apetecem socialmente certos versinhos travestidos de poesia numa época em que todo mundo quer ser
bonito rico saudável feliz e tudo precisa ser leve e divertido

masapoesiadiznão

ninguém rasga versos de poetas ruins de poemas péssimos contendo babas sentimentalóides vômitos existenciais e fantasias de mudar o mundo com a receita pronta e bobagenzinhas embaladas de humor contaminados pela fala da publicidade e da auto-ajuda afinal o que se quer é entretenimento e ninguém está interessado em descobrir o que vem a ser poesia

- tanto que se acha até hoje que ela se faz com versos

masapoesiadiznão

ninguém rasga versos só poetas quando sabem o que queriam dizer não está dito

os poetas querem dizer o indizível

esse paradoxo o poema sem verso nem frente

no momento da revelação véu do santo dos santos dilacerado remendado costurado frankenstein

o poema ser de linguagem feio e lindo

o poema preciso de palavras precisas do poeta preciso de poesia

preciso de poesia preciso de poesia

o pote de pandora


“Ai palavras, ai palavras/ que estranha potência a vossa(...)/o mel do amor cristaliza/seu perfume em vossa rosa.” Cecília Meireles

num pote de maioneggs sem rótulo cheio de álcool

a mãe fechou uma rosa champagne do buquê de casamento da filha

o efeito foi imediato

ela desabrochou belíssima para sempre

guardamos por muito tempo

até que numa mudança num ato impensado

de curiosidade infantil

o abri

(a rosa)

cada pétala

(cristalizada)

trincou e partiu.

formando-se uma espécie de vitrilho

quebra-cabeças de 15.000 peças.

pouco

depois nos se/par/amo/s

depois

não mais

e essa imagem belíssima paira

intemporal

sobre nosso amor

nem conservar nem cristalizar

const-

ruir isso.

restam duas perguntas essenciais:

1. tudo seria diferente se o pote tivesse sido mantido fechado?

2. de que cor era a tampa do pote?

terça-feira, dezembro 06, 2005

ofício pífio



Fazer um soneto deve ser fácil

Como roubar o doce da criança

Uma simples questão de conta dáctil

E se for preso pagar a fiança

“É muito feio roubar desse jeito,

É covardia”, dizia a polícia.

Mas arte exige um crime perfeito

E não contavam com minha astúcia

Criança que rouba criança tem

Cem anos de perdão, então eu posso

Fazer e não devo nadica a ninguém

Só a você hipócrita leitor

Que vai ver preferia poesia em vez

Dessa contabilidade sem valor.

sábado, dezembro 03, 2005

a poesia de cor

tempus e modus amantis.
compor&inventar
bricolleurs
das sutilezas
entre o que
existe apenas
e o que
é.
tons tônus tunes
plasticidades matéricas: brilho opaco

trans-lucidez
através o que se vê
não-tudo o bastante
uma escolha entre
escolho que acolhe o que (se) passa

pulsos

da finitude do deslimite
desejo feito cicatriz sobre o real
raso irrisório risível

selo do indizível.

quarta-feira, novembro 30, 2005

Setenta anos da morte de Fernando


“As palavras não fazem o homem compreender, é preciso fazer-se homem para entender as palavras.” Herberto Helder

Pessoa no plural mesmo que singular: Alberto Caeiro, Ricardo Reis (que morava no Brasil), Álvaro de Campos, Bernardo Soares. E tantos outros que vieram com ele, que nele habitavam. Como em nós. Na verdade, não temos a dedicação e atenção necessária para perceber quantos somos. Para identificar cada um em nós, dar-lhe nome, biografia, desejos e propósitos. Pessoa assim fez. Deu nome, data e local de nascimento, mapa astral, personalidade e obra a vários. Nós nos satisfazemos, e por vezes, nem queremos ser a pessoa que somos. É preciso aprender com Fernando a ser pessoa no plural, fazer de cada existência virtual em nós uma possibilidade positiva.

Setenta anos da morte de Fernando e setenta e cinco de Herberto vivo. O grande poeta místico e carnal da língua portuguesa contemporânea. Herberto Helder. Quarenta e cinco anos tem Adília Lopes, a poeta pop, que provoca enorme rebuliço com sua obra e suas aparições na tv. Adília que disse numa entrevista: “Clarissa de Erico Veríssimo, descoberta aos 10 anos (em 1970), foi a porta por onde entrei na literatura. (...) A partir do texto de Erico Veríssimo, da Clarissa, percebi que ia ser escritora e que a literatura era a minha casa.”

Fernando dizia “a língua é minha pátria”. Caetano completou não ter pátria, mas mátria e querer frátria. É bom que a gente faça da nossa língua pátria uma frátria, escolhendo também leituras de criadores portugueses. É preciso conhecer Herberto, Adília e tantos outros. Eles falam a mesma língua nossa. E descobrirmos Portugal já está na hora. Para isso é preciso atravessar o Cabo Saramago e lançar-se ao mar português. Porque, como diz Fernando “o mar com fim será grego ou romano/ o mar sem fim é português”.

Aqui, uma pequena viagem, ou uma garrafa lançada que chega até Cavaleiro, com estas mensagens cifradas:

“Meus olhos resgatam o
que está preso na
página: o branco do
branco e o preto do
preto.”( A leitura/Herberto Helder)

“Os gostos e os desgostos/levam ao poema/como podem levar/ao precipício/o poema fala do precipício/ lá haverá choro/e ranger de dentes/e não haverá Kleenex/nem o Dr. Abílio Loff/o meu querido dentista/o poema fala do precipício/evitado a tempo/o mau poema não mata/(mais vale burro vivo/que sábio morto)” (Adília Lopes)

segunda-feira, novembro 21, 2005

o poema do FestCampos

o poema aí de baixo foi o que se classificou mas não levou.
no concurso havia poemas tão bons quanto ele que também não levaram.