estações da cruz IVdefinição
sexta-feira, abril 17, 2009
quinta-feira, abril 16, 2009
quinta-feira, abril 09, 2009
estações da cruz

Estação 1
A Ceia
Este é meu corpo
Partido por vocês
Partilhado por vocês
Vocês meu corpo
Partido e juntado
Para o compartir
Em memória de mim
Perfeitos em unidade
Mas não uniformidade
Este é o meu sangue
Que é dado por vocês
Vinho da nova aliança
Vermelho que faz
Ver melhor a verdade
Verdade que habita
Cada corpo como cores
Do arco-íris
Filhos da luz
Suas cores diferentes
São uma em mim
O prisma
O amor
..........................................................
Estação II
Jardins
Um homem no jardim
De novo como no começo
Um homem pede
Que o sofrimento passe
No outro jardim
Um homem sabia
O que não fazer
Mas fez o que queria
Só o que queria
Agora neste jardim
Um homem sabia
O que fazer
E ele fez o que não queria
Muito mais do que podia
Você aqui
No planeta-jardim
Já pensou nisso?
Você aí
Quem é?
Adão ou Cristo?
......................................................................................
Estação III
Ecce Homo
O suspeito foi preso
Agredido e torturado
O suspeito foi julgado
Um blasfemo um herético
Sem direitos – culpado
O culpado foi considerado
Um problema político
E sentenciado pelo Estado
.......................................................................................
Estação IV
Se quiser me seguir
A cruz nas costas
As costas nuas
A carne viva da verdade
As farpas chibatas
A raiva a vaia vil pra vida
O rosto fosco
O olho roxo
O sangue pisado
E ele humilhado
Esse é o caminho
Estação V
O outro Simão
Não sei não
Se eu fosse Simão
Em plena luz do dia
Será que a levaria?
Carregando a cruz
Ao lado de Jesus
A gente vê a luz
Esse sujeito
Um preso político
Um problemático
Não o conheço
Não tenho nada com isso
O homem em silêncio
Diz que tudo isso
Tem a ver comigo
- o servo sofredor
é o messias prometido
.................................................................................
Estação VI
Verônica
Ela já o tinha visto
Ouvido e crido
Ela não podia agora
Desampará-lo
Caído ferido
Cansado sedento
Ela corre ao seu encontro
Engana os guardas
Nas mãos a cuia com água
E uma toalha molhada
Ele bebe
Pousa o rosto no pano
E a olha nos olhos
Agradecido
Depois o rosto do amor
Ali como um retrato
De sangue suor e cuspe
Agnus dei qui tollis
Pecatta mundi
Miserere nobis
....................................................................................
Estação VII
Profecia sobre o povo encolhido
Não chorem por mim
mulheres de Jerusalém
chorem por seu filhos e netos
chorem pela desolação que vai vir
chorem pela dispersão
chorem pela inquisição
pelos campos de concentração
pelos filhos-bomba de Ismael
explodindo Israel
chorem todo dia pelo morticínio
pelo antisemitismo
até que eu venha
e faça
paz
...................................................................................
Estação VIII
Exposto
Nu na cruz
Carne e osso
Herege proscrito rebelde maldito
‘perdoa Pai
eles não sabem...’
Herege proscrito rebelde maldito
e o ladrão
nosso irmão
pede perdão
‘ perdôo e te digo
ainda hoje
você vai estar comigo
no paraíso’
………………………………………
Estação IX
A família de Deus
Em meio à dor
Maria acolhe o novo filho
Em meio à dor
João adota a nova mãe
Somos assim aceitos e adotivos
Na nova família
Amados como o discípulo
Filhos do coração traspassado
Almas espíritos e corpos
transformados
..............................................................................................
Estação X
Silêncio e entrega
1.
O sol nos olhos
oculta tua face
a nuvem escura
encobre tua vontade.
Hoje, agora,
Não estás comigo
Não ouves meu clamor
Estou sozinho
Nada faz sentido.
2.
A palavra
túnica inconsútil
cobrindo o real
soldados brincam
um lance de dados
e na cruz o real grita
– está consumado –
no princípio
a palavra é
que inventa o real
no fim
a palavra é
(silêncio)
transfigurada
.........................................................................
Estação XI
Réquiem - O sonho acabou
A cruz vazia
O corpo frio
Dentro do oco da pedra
Todos choram
Eu velo
A vida vazia
O pesadelo
no fim da história
.........................................................................................
Estação XII
Metamorfose
Em meio a escuridão milhares de reflexos
sobre todo o seu corpo feito constelação
um brilho um calor outra e a mesma dimensão
borboleta fora do casulo
E dali vem a realidade
Em verdadeira beleza da vida em liberdade
um brilho um calor outra e a mesma dimensão
o Cristo o Senhor nossa ressurreição
Não há motivo pra saudade
Ele está vivo
Venceu a morte e toda maldade
Este é o segredo
que se vive em comunidade
Novas criaturas iluminando a cidade
Um brilho um calor surge em meio à escuridão
É Cristo o Senhor nossa ressurreição
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
ocidente (ou a terra do crepúsculo)
um encontro
Apalpar poemas Agarrar poemas
poema de poemas
um poema
que não se pode agarrar
queira talvez ser apalpado
um poema
que não se pode apalpar
queira talvez ser penetrado
um poema
que não se pode penetrar
queira talvez se olhado
um poema
que não se pode olhar
queira talvez ser compreendido
(kurt marti - poeta suiço)
quinta-feira, dezembro 11, 2008
o advento 4
o advento 2
terça-feira, outubro 14, 2008
nos 40 anos da morte de Bandeira
Súbitos mergulhadores descendo nas águas inimigas
Com os olhos fitos e os peitos esmagados,
Descendo devagar, ao som lento de segundos vertiginosos como séculos,
Todos nós vos acompanhamos e juntamos todas as nossas forças na mesma meditação.
Aqui, da terra firme,
Entre nuvens e terra,
Entre o suor e o orvalho,
Esperamos o termo com todas as nossas forças.
E sabereis a nossa mensagem:
Só há saída pelo fundo.
segunda-feira, agosto 11, 2008
entrevista com o Carlito Azevedo

Palavra Expressa é o projeto de poesia que ocupa as dependências da Biblioteca Pública Dr. Telio Barreto, no Centro Macaé de Cultura. Um encontro que busca aproximar o macaense da poesia brasileira e local. Tem homenageado vários poetas da cidade, alguns com mais de 90 anos de idade, com saraus de poesia, além de oferecer oficinas para ampliar o conhecimento da poesia contemporânea e aprimorar a técnica daqueles que gostam de fazer poesia e não apenas lê-la ou ouvi-la. Para comemorar seu primeiro ano, foi convidado o poeta Carlito Azevedo, para falar de poesia brasileira contemporânea e lançar o vigésimo número da mais importante revista de poesia no Brasil, hoje – a Inimigo Rumor.
Carlito Azevedo recebeu o Prêmio Jabuti após estrear na literatura com o livro de poesia Collapsus Linguae (1991). Sua obra foi reunida em Sublunar (2001), que inclui As banhistas (1993), Sob a noite física (1996) e Versos de circunstância (2001). Carlito foi recentemente incluído na lista dos vinte maiores poetas brasileiros vivos. Tem livros publicados em Portugal, Espanha e Argentina, além de participar de diversas antologias poéticas publicadas na França, nos Estados Unidos, na Itália, na Colômbia e no México. Coordena a coleção de poesia Ás de colete, das editoras Cosac & Naify e 7Letras. Desde 1997, trabalha como editor da revista de poesia Inimigo Rumor, revista que chega ao número 20 e vai ser lançada aqui, durante o evento desta terça feira(12/08)que começa às 18h, na própria Biblioteca.
Gerson Dudus - Tem uma visão popular sobre poesia, que acredita ser ela a expressão dos sentimentos, em versos...a visão romantiquinha.Depois das vanguardas e do modernismo a gente sabe que não é tão simples. Existe alguma definição de poesia que seja operacional hoje, quando há trabalhos que reúnem artes plásticas, música, performance/teatro/dança e palavra e não se resumem ao livro, à pagina e ao verso? É possível ainda uma fina película conceitual que diga pra gente o que é poesia?
Carlito Azevedo - Se alguém acha que a poesia é algo que já foi inventado, cuja invenção já foi terminada, só lhe resta seguir "escrevendo" poesia como manda o figurino. Mas eu tendo achar bem mais interessante pensar a poesia como algo que ainda está sendo inventado, cuja gramática e definição só vale para ler o que passou e não para reger e dirigir o que virá. De modo que a única definição que posso utilizar para a poesia é aquela mais abrangente de todas, usada uma vez pelo russo Mikhail Bakhtine: há poesia toda vez que algo nos ensina a ver diferenças onde antes só se via mesmice, homogeneidade.
Gerson - Mas, Carlito, em cada época, os poetas se mobilizam por certas questões - estéticas filosóficas, éticas, políticas. Seu intercâmbio com poetas daqui e de outros países acaba dando uma visão geral de poesia contemporânea no mundo? Para você quais são as questões centrais com que o poeta tem que se confrontar hoje no Brasil?
Carlito - Não quero parecer alguém que dá receitas ou aponta caminhos, o que posso dizer é que a poesia que prefiro na atualidade é aquela que (trate do tema que tratar) me passa a dimensão do abismo que há em estar vivo. Há o abismo social, visível, tangível a cada esquina. E há o abismo existencial: somos regidos pelo acaso e pelo caos. Como disse o Mallarmé há mais de cem anos, não há ordem inventada pelo homem que possa abolir o acaso dessa imensa estrutura que é o universo. Sabe-se que a única prova de que amanhã, ao acordarmos, o universo ainda estará aí fora é o fato de que até hoje foi assim.
Tem gente que reage a esse estado de coisas buscando uma ilusão de segurança, e daí surge a arte mais acadêmica, que se quer eterna, clássica, perene... ilusões de perenidade num mundo em contínua transformação. E tem gente (e é a gente que eu prefiro) que reage a esse estado de coisas incorporando em sua produção artística o aleatório, o informal, a indeterminação, o experimental, como dimensões fundamentais. É como se para esse tipo de poeta, a poesia fosse uma sonda mental que ele atira ao desconhecido para ver se encontra um ponto fora de si a partir do qual re-descrever o mundo. Muito melhor isso que escrever obedecendo as regras do mercado.
Gerson - Falando em regras do mercado, muita gente diz que a poesia contemporânea é difícil e por isso não consegue sintonizar com o público de um certo gosto médio. Como você vê a relação entre poesia e público? Poesia não se vende e poesia não vende são sinônimos? Depois da Internet, da blogosfera, da disponibilidade de todo tipo de poeta e poesia na rede, das comunidades e fóruns virtuais, a poesia consegue chegar a mais pessoas?
Carlito - A regra do mercado é simples: livro bom é livro que vende. E o pior é que essa regra, que pretende tomar o lugar da reflexão crítica e da discussão política, coisas básicas para a poesia e para a filosofia, anda atingindo todo mundo. O que eu sei é que rentabilidade não é critério para se julgar a poesia (nem nada). Não me importa se um livro de poemas atingiu um milhão de pessoas, o que me importa é saber em que medida aquele livro de poemas me ajudou a ver o mundo como algo mais permeado de alternativas e possibilidades do que aquelas (pouquíssimas) que me são oferecidas pelo mundo globalizado: nasça, consuma carros e celulares, faça sucesso e morra. O mesmo vale para blogs e sites de poesia.
Gerson - Essa relação entre público e poesia, para nós do Palavra Expressa é relevante, no sentido de que o poeta problematiza a existência e busca desautomatizar a vida. Ser ouvido e lido, buscar um ponto que me ligue ao outro, essa conexão, essa empatia - sentir junto, é muito importante. Sei que soa messiânico, mas ...assim como uma poemúsica - uma bela canção feita por um dos nossos da mpb atinge as pessoas e aquilo se torna trilha de um momento da vida, que dá a dimensão existencial daquilo que se viveu...isso é possível, hoje, para a poesia e um público, como foi para Drummond ou Gullar ou Leminski?
Carlito - Eu acho que a relação entre poesia e leitor é o mais relevante. Quando passo a tratar o leitor como público, reduzindo-o a números, consumidores, estatísticas, eu já entrei no próprio processo de automatização que pretendia estar criticando. Lorca dizia que ler um poema num auditório para seis pessoas valia tanto quanto publicar um livro com uma tiragem de cinco mil exemplares. É desse modo enviesado e mais rico que eu acho que a poesia deve se relacionar com os "números", algo que fundiria a cabeça de qualquer gerente de vendas: dois e dois são cinco, seis igual a cinco mil. O importante para o poeta é não se recusar ao contato, ele deve publicar livros, fazer leituras públicas, criar blogs, postar suas leituras no youtube e no myspace. Alguns, como eu, até editam revistas de poesia que tentam multiplicar esse contato entre poeta e leitor. Mas que o sucesso de quem quer que seja não nos iluda.
Gerson - Na coleção de poesia que você coordena, Às de colete, depois da reunião dos poemas de Cacaso, Orides, , Alvim, da surpresa da portuguesa Adília, quem vem? E dos novos?
Carlito - Minha alegria maior com essa coleção é a possibilidade de lançar novos autores. A próxima leva, agora em outubro, traz livros novos de Ricardo Domeneck, Walter Gam e Felipe Nepomuceno, três novíssimos que me encantam e fazem ficar otimista quanto aos desdobramentos da poesia futura. Além disso temos também a poesia reunida de Cesare Pavese, grande poeta italiano que até agora só foi publicado no Brasil como romancista.
Gerson - E você? Depois do Sublunar com a reunião dos seus livros anteriores, o que vem por aí? como você sente que sua obra se desdobra?
Carlito - Já dizia o Paul Valéry que a função de um livro é surpreender seu autor. E eu creio um pouco nisso. Vou escrevendo, jogando fora, refazendo, sempre de acordo com meu "eu todo retorcido", como dizia o Drummond, com esse feixe de tensões que me compõe. Imagino que seja um livro mais cortado de fluxos sonoros e mentais do que estruturado em placas visuais, como vinha sendo meu trabalho poético até agora... Mas pode ser só impressão minha. Como disse, estou disposto a ser surpreendido.
quarta-feira, março 26, 2008
patmosphere
sexta-feira, setembro 28, 2007
terça-feira, agosto 28, 2007
teodisséia

ulices atra
vés do espe
sso tempo
com olvidos
atentos quer
que pinélope en
frente a entris
tecida ficção
vida desa
fiando com parcas
posses e avisa
as circes
e sirenes
que todo
homem é
uma ilha
com um
buraco por
onde fug
indo se
busca a ob
via crucis
e depois dela
com razão
as primícias do princípio
do prazer
segunda-feira, agosto 27, 2007
Quero saber
Quero saber se você vem comigo
a não andar e não falar,
quero saber se ao fim alcançaremos
a incomunicação; por fim
ir com alguém a ver o ar puro,
a luz listrada do mar de cada dia
ou um objeto terrestre
e não ter nada que trocar
por fim, não introduzir mercadorias
como o faziam os colonizadores
trocando baralhinhos por silêncio.
Pago eu aqui por teu silêncio.
De acordo, eu te dou o meu
com uma condição: não nos compreender
Pablo Neruda (Últimos Poemas)
tenho estado meio assim...sem vontade responder aos recados na net..sem vontade de conversar...vontade de estar junto sem precisar falar ou explicar ou comentar....
sexta-feira, maio 11, 2007
a boca é do outro lado

"o chão é fértil demais para o acaso" ricardo domeneck de manhã ela lê pra mim
emocionada o poema
da minhoca do roubaud
meu filho ri
de noite no discovery health
o médico tira minhocas
dos buracos que
a louca
tinha feito nos próprios braços
"eu tenho vermes no corpo" ela diz
depois, é só cuidar
dos abcessos e da infecção sem
esquecer de colocar as minhocas na terra
agora li os poemas do prado sobre elas
e acho que o dia fez sentido
sexton plath akmátova tzvietáieva
eu tenho minhocas na minha cabeeeça
para arejar a linguagem
quarta-feira, novembro 01, 2006
a pena é mais poderosa que a espada
a pena nem
sentença a ser cumprida
nem dó
a pena se faz força
comunica com a noite dos
tempos amanhecendo
tempestades
a pena pertence ao vento
que infunde
movimento
apenainextricavelmenteligadaàasaindivisivelmenteligadaaocorpoligadoindissoluvelmenteàasa
assim:
amor
um vôo
duas asas
e mais.








